sexta-feira, 3 de março de 2017

Com cadeas de ouro e chumbo andando... cara o novo mar


I

Sinto o meu coraçom desde os anos
A dor é já lonjana
Silandeiro o tempo corre
como umha fera que vai ferida
Espreitando na noite eterna
a morte alumea-me e habita-me

Parím um céu nevoento,
com lampejos roivos e marinhos
Na trevoada soubem
que som trágicos os caminhos
e pétrea é a verdade
e um sagrado inferno

Fum um tolo incauto
co génio trampado em matos,
as xarxas queimando-me a alma,
com bágoas de oceánico pranto
Em latejos de espanto
descobrím o gume abisal no humano

Lóstregos caem no escuro
fundo do terror pantasmático
embebendo coa choiva fria
as prontas crianças do anseio
Empenhados no sofremento
obramos a infinita história do cruento eu eterno

Em sombrias tumbas soterradas
na gram catedral do silêncio
As fiestras de pensamento remachadas
com fios de gelo e vento
Ali o sangue ainda abrolha
dos corpos de barro e ferro
e no Sonho durme e deseja
o visionário gigante incerto


II

Eu esperarei só
na beira junto aos acantilados
Onde zoam as catedrais do som
para os beiços, o esquecer
Onde o encouraçado azul
oxida-se co amencer

Umha onda virá por mim
e levará as escumas que criei
Como um bautismo final
para o que fica vivo em mim
e assi poda outra vez renascer
livre da corrupçom do devir

Sem a depravaçom que cala
fundo, coas lembranças
O amor devolto para o passar
Sempre co olhar no tempo
que destemido e irrendento
age cada agora-e-aqui

De novo viageiro alegre dos océanos,
ditoso de atravessar as terras 
sem ficar, como um alento de luz 
que sorrí, sopro imperceptível entre as almas
Outra vez a ser simples lume,
um fogo cósmico da Infinitude

Sobre o lombo da balea, ceives
explorando a imensidade azul
Desconhecendo o significado outra vez
Rendido aos roteiros migratórios
antigos, escuros, submersos,
perigosos, misteriosos, santos
Sempre a renascer no fundamento
desde as profundidades abisais do ser


Borrador: 10-13/02/17
Primeira versom: 03/03/17

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